
Cedro e Buracão: dois territórios quilombolas de Mineiros
Mineiros possui dois territórios quilombolas com processos fundiários documentados pelo Incra: Cedro e Buracão. Eles possuem histórias próprias e não devem ser tratados como uma única comunidade.
A página usa Cedro no endereço por ser o núcleo mais associado ao conhecimento de plantas medicinais e à trajetória de Lucely Pio, mas inclui Buracão para que a leitura do território municipal não apague o segundo quilombo.
Território Quilombola Cedro
O Incra publicou a Portaria nº 944, de 31 de dezembro de 2024, reconhecendo oficialmente o Território Quilombola Cedro. Em 2025, o território foi declarado de interesse social para fins de desapropriação e, em 2026, o processo avançou com editais para aquisição de imóveis incidentes na área delimitada.
A autarquia registra uma história comunitária vinculada a Francisco Antônio de Morais, conhecido como Chico Moleque. Também destaca o cultivo e o conhecimento de plantas medicinais como uma das características pelas quais Cedro ganhou reconhecimento.
Centro Comunitário Plantas Medicinais e conhecimento tradicional
Segundo o Incra, famílias do Cedro fundaram em 1998 o Centro Comunitário Plantas Medicinais. A iniciativa se tornou fonte de renda e fortaleceu conhecimentos tradicionais ligados ao Cerrado.
Esse conhecimento não deve ser convertido em promessa médica pelo WikiGoiás. O portal documenta o saber cultural e sua transmissão, enquanto qualquer informação de eficácia, segurança ou tratamento clínico exige outra natureza de evidência.
A trajetória de Lucely Pio oferece uma entrada biográfica para compreender como esse saber circulou em redes como a Articulação Pacari e no processo de reconhecimento do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado.
Território Quilombola Buracão
O Incra reconheceu o território Buracão em 2023 e registra área aproximada de 2 mil hectares, com famílias ligadas à agricultura e à pecuária. O processo representa décadas de mobilização pela regularização territorial.
Em 2026, Buracão e Cedro aparecem conjuntamente em novas etapas de regularização e crédito, mas permanecem territórios distintos, com sujeitos e histórias próprias.
O que mudou em 2026
Editais do Incra para recebimento de ofertas de imóveis rurais dentro dos territórios mostraram avanço da etapa fundiária. A autarquia também registrou ordens de serviço para laudos de vistoria e avaliação e contratos de Crédito Instalação para famílias das duas comunidades.
Esses movimentos são administrativos e podem avançar em ritmos diferentes. Por isso, a situação fundiária deve ser atualizada sempre que houver nova portaria, decreto, aquisição ou titulação.
Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como patrimônio cultural
Em junho de 2026, o Iphan reconheceu o Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado como Patrimônio Cultural do Brasil. O órgão descreve um conjunto de saberes transmitidos entre gerações, associados à identificação, coleta, preparo e uso tradicional de plantas do Cerrado.
Lucely Pio, do Quilombo do Cedro, aparece diretamente na documentação do Iphan. Isso conecta Mineiros a um patrimônio de alcance nacional sem transformar o município em proprietário exclusivo de um saber compartilhado por comunidades de vários estados.
Respeito à autonomia comunitária
Comunidade tradicional não é atração turística automática. Qualquer visita, compra, oficina ou atividade deve respeitar organização, autorização e regras definidas pelos próprios moradores e associações.
O WikiGoiás evita publicar endereços residenciais ou contatos pessoais não destinados ao público. Informações de acesso e comercialização só devem entrar quando houver canal público e verificável.
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Fontes e critérios editoriais
- Incra — reconhecimento do Cedro
- Incra — reconhecimento do Buracão
- Incra — editais de 2026
- Iphan — patrimônio cultural
- Iphan — dossiê de registro
O WikiGoiás cruza fontes oficiais, institucionais e documentação pública. Informações operacionais e dados sujeitos a mudança devem ser confirmados na fonte na data da consulta.