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WikiGoiás · Literatura · Memória

Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha

O livro aproxima memória pessoal, história social e elaboração poética no momento de maior reconhecimento público da autora.

Publicado e atualizado em 20 de agosto de 2026 · Por Equipe Editorial WikiGoiás

Ilustração editorial de Cora Coralina escrevendo, com a Cidade de Goiás ao fundo
Cora Coralina representada em seu universo de escrita, trabalho e memória. Ilustração editorial; não é fotografia histórica.

O lançamento pela Editora UFG

Resposta direta

Vintém de Cobre foi lançado pela Editora UFG em 1983, no mesmo ciclo em que Cora recebeu o título de Doutora Honoris Causa da universidade.

A relação entre Cora Coralina e a Universidade Federal de Goiás foi mais profunda do que uma homenagem cerimonial. A editora universitária participou da republicação de sua obra e lançou Vintém de Cobre em agosto de 1983. Poucos dias depois, a universidade concedeu o título de Doutora Honoris Causa.

A pesquisa publicada na revista Signótica demonstra que essa chancela ampliou o impacto editorial. O apoio institucional ajudou a inserir a obra em circuitos de crítica, ensino e leitura sem apagar sua origem fora da formação acadêmica convencional.

Aninha, memória e personagem de si

“Aninha” remete ao nome familiar e à infância, mas a expressão “meias confissões” já indica que o livro não promete transparência completa. A memória seleciona cenas, vozes, afetos e feridas. O eu que recorda é uma mulher idosa interpretando a menina que foi.

Essa distância entre tempos permite reconhecer normas de educação, hierarquias familiares e relações sociais do fim do século XIX e início do XX. A lembrança individual torna-se porta de entrada para uma história coletiva.

Infância, escola e modos de educar

A breve escolarização formal de Cora aparece em diálogo com outras formas de aprendizagem: família, trabalho, religião, leitura, convivência e observação. Pesquisas da UFG usam sua obra para estudar experiências educacionais e imagens da infância em Goiás.

A força pedagógica do livro não está em oferecer modelo ideal. Ele expõe limites, disciplina, desigualdades e afetos. Professores podem trabalhar essas passagens em conjunto com documentos históricos, evitando tratar a memória literária como reprodução literal do passado.

Trabalho, pobreza e dignidade

O vintém do título evoca pequena moeda, valor modesto e economia cotidiana. A obra observa a materialidade da vida: o que se possui, o que falta, o que se troca e como o trabalho organiza relações. A atenção aos pequenos valores se conecta à opção da autora por personagens fora do prestígio.

Essa perspectiva ajuda a entender por que Cora é inspiradora sem precisar transformar cada texto em conselho. A dignidade aparece na resistência concreta, na lembrança dos esquecidos e na capacidade de nomear desigualdades.

O livro no ciclo de reconhecimento

Em 1983 e 1984, a autora recebeu títulos e prêmios de grande visibilidade. Vintém de Cobre circulou nesse ambiente, mas deve ser lido como resultado de uma trajetória longa. O reconhecimento público não substitui a análise da obra; oferece novas condições para que ela seja lida.

Hoje, o livro permanece importante para literatura, história da educação, estudos de memória, gênero e velhice. Essa multiplicidade mostra como uma obra situada em Goiás pode produzir questões de alcance nacional.

Perguntas frequentes

Quando Vintém de Cobre foi lançado?

Em 1983, pela Editora UFG.

Quem é Aninha?

É o nome familiar associado à infância de Cora e também uma construção de memória dentro da obra.

O livro é autobiografia?

Tem forte matéria autobiográfica, mas transforma lembranças por meio de elaboração poética.

Qual a relação com a UFG?

A universidade publicou o livro e concedeu a Cora o título de Doutora Honoris Causa no mesmo ciclo de 1983.

Continue no dossiê Cora Coralina

Fontes e método de apuração

O WikiGoiás confrontou registros institucionais, catálogos bibliográficos e pesquisas acadêmicas. A biografia distingue fatos documentados, interpretação literária e representação audiovisual. Divergências de grafia ou cronologia são explicadas em vez de ocultadas.

Revisão editorial: 20 de agosto de 2026. Correções acompanhadas de documento podem ser encaminhadas pela política de correções.

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