
O lançamento pela Editora UFG
Vintém de Cobre foi lançado pela Editora UFG em 1983, no mesmo ciclo em que Cora recebeu o título de Doutora Honoris Causa da universidade.
A relação entre Cora Coralina e a Universidade Federal de Goiás foi mais profunda do que uma homenagem cerimonial. A editora universitária participou da republicação de sua obra e lançou Vintém de Cobre em agosto de 1983. Poucos dias depois, a universidade concedeu o título de Doutora Honoris Causa.
A pesquisa publicada na revista Signótica demonstra que essa chancela ampliou o impacto editorial. O apoio institucional ajudou a inserir a obra em circuitos de crítica, ensino e leitura sem apagar sua origem fora da formação acadêmica convencional.
Aninha, memória e personagem de si
“Aninha” remete ao nome familiar e à infância, mas a expressão “meias confissões” já indica que o livro não promete transparência completa. A memória seleciona cenas, vozes, afetos e feridas. O eu que recorda é uma mulher idosa interpretando a menina que foi.
Essa distância entre tempos permite reconhecer normas de educação, hierarquias familiares e relações sociais do fim do século XIX e início do XX. A lembrança individual torna-se porta de entrada para uma história coletiva.
Infância, escola e modos de educar
A breve escolarização formal de Cora aparece em diálogo com outras formas de aprendizagem: família, trabalho, religião, leitura, convivência e observação. Pesquisas da UFG usam sua obra para estudar experiências educacionais e imagens da infância em Goiás.
A força pedagógica do livro não está em oferecer modelo ideal. Ele expõe limites, disciplina, desigualdades e afetos. Professores podem trabalhar essas passagens em conjunto com documentos históricos, evitando tratar a memória literária como reprodução literal do passado.
Trabalho, pobreza e dignidade
O vintém do título evoca pequena moeda, valor modesto e economia cotidiana. A obra observa a materialidade da vida: o que se possui, o que falta, o que se troca e como o trabalho organiza relações. A atenção aos pequenos valores se conecta à opção da autora por personagens fora do prestígio.
Essa perspectiva ajuda a entender por que Cora é inspiradora sem precisar transformar cada texto em conselho. A dignidade aparece na resistência concreta, na lembrança dos esquecidos e na capacidade de nomear desigualdades.
O livro no ciclo de reconhecimento
Em 1983 e 1984, a autora recebeu títulos e prêmios de grande visibilidade. Vintém de Cobre circulou nesse ambiente, mas deve ser lido como resultado de uma trajetória longa. O reconhecimento público não substitui a análise da obra; oferece novas condições para que ela seja lida.
Hoje, o livro permanece importante para literatura, história da educação, estudos de memória, gênero e velhice. Essa multiplicidade mostra como uma obra situada em Goiás pode produzir questões de alcance nacional.
Perguntas frequentes
Quando Vintém de Cobre foi lançado?
Em 1983, pela Editora UFG.
Quem é Aninha?
É o nome familiar associado à infância de Cora e também uma construção de memória dentro da obra.
O livro é autobiografia?
Tem forte matéria autobiográfica, mas transforma lembranças por meio de elaboração poética.
Qual a relação com a UFG?
A universidade publicou o livro e concedeu a Cora o título de Doutora Honoris Causa no mesmo ciclo de 1983.
Continue no dossiê Cora Coralina
Linha do tempo
As datas organizam a trajetória, mas cada marco ganha sentido quando ligado ao trabalho, à circulação editorial e às mudanças do Brasil.
Continuar →Obra literária
A produção reúne poesia, prosa, memória, observação social e literatura para crianças, com livros publicados em vida e depois de 1985.
Continuar →Poemas dos Becos
O livro que abriu sua bibliografia transforma a Cidade de Goiás em espaço literário observado a partir dos becos e das vidas colocadas à margem.
Continuar →Meu Livro de Cordel
O segundo livro publicado reafirma uma voz que aproxima narrativa, ritmo, experiência cotidiana e formas populares de circulação da palavra.
Continuar →Contos e literatura infantil
A poeta também foi narradora: jornais, contos, histórias de casa, infância e imaginação formam uma parte essencial de sua bibliografia.
Continuar →Cidade e memória
A cidade não é fundo decorativo: é personagem, arquivo social e campo de disputa entre lembrança, beleza, desigualdade e transformação.
Continuar →Cotidiano e vozes femininas
A literatura coralineana encontra grandeza nas vidas pouco celebradas sem esconder as estruturas que as tornavam invisíveis.
Continuar →Doceira, trabalho e autonomia
Os doces fazem parte da biografia, mas devem revelar uma trabalhadora e empreendedora do cotidiano — não diminuir a escritora.
Continuar →Fontes e método de apuração
O WikiGoiás confrontou registros institucionais, catálogos bibliográficos e pesquisas acadêmicas. A biografia distingue fatos documentados, interpretação literária e representação audiovisual. Divergências de grafia ou cronologia são explicadas em vez de ocultadas.
Revisão editorial: 20 de agosto de 2026. Correções acompanhadas de documento podem ser encaminhadas pela política de correções.