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WikiGoiás · Anápolis

Mercado Municipal Carlos de Pina

Inaugurado em 1951 e tombado em 1984, o Mercado Municipal Carlos de Pina liga patrimônio Art Déco, comércio popular e a formação de Anápolis como entreposto regional.

Atualizado em 12 de agosto de 2026 · Por Equipe Editorial WikiGoiás

Por que o Mercado Municipal importa para a história de Anápolis?

O Mercado Municipal Carlos de Pina foi inaugurado em 25 de dezembro de 1951 e tombado como patrimônio histórico municipal em 1984. O prédio, de estilo Art Déco, foi construído no fim da década de 1940 e preserva elementos originais da cobertura central em madeira e das paredes de alvenaria.

O valor do mercado não está apenas em “ser antigo”. Ele reúne três histórias de Anápolis no mesmo endereço: o crescimento do centro urbano, a tradição de abastecimento e comércio popular e a transformação da cidade em polo regional de circulação de mercadorias.

Art Déco, dimensões e estrutura preservada

A página oficial de turismo da Prefeitura descreve a edificação como Art Déco, com 20 metros de frente e 40 metros nas laterais. A cobertura central em madeira e paredes originais de alvenaria permanecem como parte da leitura histórica do prédio.

Esse dado muda a forma de visitar o local: o mercado pode ser observado também como peça da arquitetura urbana do pós-guerra em Anápolis, não apenas como um conjunto de boxes comerciais.

1951: inauguração e consolidação do abastecimento

A inauguração ocorreu no Natal de 1951. Naquele período, Anápolis já exercia função regional de comércio e abastecimento, e o mercado público ajudava a concentrar atividades que hoje estão distribuídas entre supermercados, atacadistas, feiras e centros logísticos.

Um depoimento de comerciante registrado pela Prefeitura em 2022 acrescenta uma conexão histórica rara: ele recorda caminhões saindo do mercado com alimentos e implementos destinados aos trabalhadores envolvidos na construção de Brasília. É memória oral — portanto deve ser apresentada como depoimento —, mas ajuda a mostrar a posição de Anápolis no corredor que se fortaleceria com a nova capital federal.

108 comerciantes e cerca de 1,5 mil pessoas por dia no levantamento de 2022

Em matéria publicada pela Prefeitura em junho de 2022, o mercado tinha 108 comerciantes registrados e recebia aproximadamente 1,5 mil pessoas por dia. O levantamento municipal descrevia a composição das atividades: carnes, frios e laticínios respondiam por cerca de 40%; alimentação — lanchonetes, pamonharias e restaurantes — por 30%; produtos naturais, cereais, grãos, doces e castanhas por 15%; e outros segmentos por 15%.

Esses percentuais são um retrato datado de 2022, não uma estrutura imutável. O interesse está em documentar a diversidade econômica do mercado em um ponto concreto do tempo.

Comércio transmitido entre gerações

A mesma reportagem municipal registra histórias de famílias que trabalham ali há décadas. Shirley Maria Soares de Oliveira relatou ligação familiar com o mercado desde 1956; Marcos Lemos Piantino contou que ajudava o pai desde 1967 e depois abriu uma mercearia.

Esse tipo de memória dá ao mercado uma dimensão que uma lista de “o que fazer” não alcança: ele é espaço de trabalho continuado, sucessão familiar e sociabilidade comercial.

Tombamento, revitalização e regularização

O tombamento municipal ocorreu pela Lei nº 025, de 10 de julho de 1984. A Prefeitura registrou revitalização de fachada antes de 2022, em articulação com permissionários e instâncias municipais de cultura e patrimônio.

Em novembro de 2025, uma nova frente administrativa analisou 120 permissões de uso existentes no mercado e identificou cerca de 50 que precisavam de regularização. A informação mostra que preservar um mercado histórico envolve também gestão pública, contratos de uso e atualização das condições de trabalho.

Como o mercado se conecta ao centro histórico

O mercado faz mais sentido dentro de uma leitura do centro de Anápolis: Museu Histórico, Praça Bom Jesus e Catedral Bom Jesus ajudam a colocar comércio, política municipal, religiosidade e arquitetura na mesma caminhada.

A Prefeitura incluiu o Mercado Municipal entre os pontos que receberam placas com QR Code de interpretação histórica em 2023, reforçando sua função como referência de memória urbana.

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Fontes para consulta e verificação

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