O arraial de Curralinho já existia
A ocupação se consolidou perto da Fazenda Engenho do Palmital e da capela de Nossa Senhora da Abadia.
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História, agroindústria e vida no Centro Goiano: uma cidade em que memória, trabalho e capacidade de transformar caminham juntas.

Itaberaí é um município do Centro Goiano, a cerca de 90 quilômetros de Goiânia, formado a partir do antigo Curralinho e marcado por uma combinação singular de tradição cultural, educação, produção rural e agroindústria de alcance nacional e internacional.
Itaberaí nasceu de uma ocupação rural antiga, organizada ao redor da devoção a Nossa Senhora da Abadia e das rotas percorridas por vaqueiros e tropeiros. Durante mais de um século, o lugar foi conhecido como Curralinho. A vila foi criada em 9 de novembro de 1868, a cidade foi reconhecida em 1903 e o nome Itaberahy foi adotado em 1924.
O município entrou no século XXI com uma identidade econômica que vai além da produção primária. Aviários, lavouras, pecuária, armazenagem, fábricas de ração, incubatórios, processamento de alimentos, logística e serviços formam uma cadeia que emprega trabalhadores de diferentes regiões do Brasil. Essa mudança não apagou a memória local; tornou ainda mais importante compreender como a cidade conciliou raízes rurais e industrialização.
A singularidade de Itaberaí está na continuidade entre campo, cidade e indústria. Em muitos municípios, a produção rural deixa o território sem criar uma cadeia local de transformação. Em Itaberaí, parte relevante dessa produção ganhou processamento, marcas, empregos industriais e relações comerciais que alcançam outros estados e países.
A cidade também carrega uma tradição intelectual e cultural incomum para seu porte. A primeira escola pública foi criada em 1831; uma classe feminina surgiu em 1870; bandas, jornais, gabinetes literários e associações dramáticas apareceram ainda no século XIX e no começo do XX. A Academia Itaberina de Letras e Artes, instalada na Casa de Cultura João Caldas, tornou-se uma guardiã dessa memória.
É nesse encontro que Itaberaí ganha força narrativa: uma cidade capaz de formar educadores, médicos, jornalistas, artistas, dirigentes esportivos, empresários e comunicadores, enquanto transforma a atividade rural em indústria moderna.
A ocupação se consolidou perto da Fazenda Engenho do Palmital e da capela de Nossa Senhora da Abadia.
O Decreto Imperial criou a aula masculina, iniciando uma tradição educacional documentada.
A mudança ampliou a centralidade religiosa e administrativa do povoado.
A Lei nº 20 elevou Curralinho à categoria de vila em 9 de novembro.
O Decreto nº 253 marcou uma nova etapa urbana.
O novo nome, associado a “rio das pedras brilhantes”, buscou representar uma identidade renovada.
A entrada em operação da planta da São Salvador Alimentos e da marca SuperFrango altera o perfil econômico local.
Itaberaí consolida relações com Goiânia, municípios vizinhos, mercados nacionais e exportação de alimentos.
Itaberaí está no Centro Goiano e mantém ligação rodoviária direta com Goiânia. A distância aproximada de 90 quilômetros permite viagens cotidianas para negócios, estudos, saúde, logística e serviços, mas a cidade não funciona apenas como dormitório da capital. Possui indústria, comércio, instituições e serviços capazes de atrair moradores de municípios próximos.
A posição geográfica também conecta Itaberaí à antiga capital, Cidade de Goiás, e a eixos que alcançam Jaraguá, Itauçu, Americano do Brasil e outras localidades. Essa rede regional ajuda a explicar o abastecimento de trabalhadores, produtores integrados, fornecedores e consumidores.
Agricultura, pecuária e avicultura formam a base histórica da economia. O diferencial está na capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor. A presença da São Salvador Alimentos, com o complexo industrial de Itaberaí, tornou o município referência na cadeia avícola e ampliou a demanda por transporte, manutenção, construção, alimentação, moradia, formação e serviços empresariais.
A economia local não se resume a uma companhia. Pequenos negócios, produtores rurais, comércio, oficinas, prestadores de serviço, escolas, faculdades e profissionais de saúde compõem um tecido que cresce em torno da população e da indústria. Dados oficiais, histórias empresariais e experiências de trabalhadores ajudam a mostrar como cada setor participa da transformação da cidade.
A memória municipal registra nomes com atuação na política, medicina, educação, imprensa, cultura, esporte e empresas. José Ludovico de Almeida participou da história política de Goiás; Salatiel Simões de Lima exerceu o governo estadual; Zoroastro Artiaga tornou-se referência em história e museologia; Hailé Pinheiro construiu trajetória marcante no Goiás Esporte Clube; Honestino Guimarães tornou-se símbolo da resistência estudantil à ditadura.
No campo empresarial e da comunicação, Zé Garrote e Sebastião Parreira representam conexões contemporâneas. Zé Garrote está ligado à criação e expansão da São Salvador Alimentos e à defesa da indústria goiana. Sebastião Parreira, nascido em Itaberaí segundo informação biográfica fornecida ao projeto, levou sua experiência com o campo para o Direito, o rádio, a televisão e as redes sociais.
O Zé Pereira é uma das manifestações populares mais reconhecidas de Itaberaí. Máscaras, tambores, cortejos, personagens e o casamento simbólico transformam as ruas em palco de memória coletiva. A Festa de Agosto, ligada a Nossa Senhora da Abadia, a Festa do Peão e as comemorações do aniversário municipal também movimentam famílias, comércio e visitantes.
A tradição musical remonta às orquestras de cordas e bandas do século XIX. A imprensa local teve jornais desde 1908. Escolas, associações literárias, grupos dramáticos e a Academia Itaberina de Letras e Artes mostram que a cultura não ocupa posição decorativa: ela é uma parte estruturante da identidade municipal.
O crescimento populacional e industrial aumenta a importância de escolas, cursos profissionalizantes, ensino superior e serviços de saúde. A cidade possui rede pública e privada de educação, instituições de nível superior e atendimento municipal de saúde que precisa acompanhar uma população em transformação.
A trajetória local também guarda contribuição histórica para a medicina goiana. Francisco Ludovico de Almeida Neto, ligado à fundação da Faculdade de Medicina da UFG, e outros médicos registrados pela história municipal mostram que a relação entre Itaberaí e a saúde antecede a atual expansão urbana.
O Censo 2022 registrou 44.734 moradores, enquanto a estimativa de 2025 chegou a 47.603. A diferença indica continuidade do crescimento, mas não descreve sozinha quem chegou, onde mora ou quais serviços utiliza. Para compreender a transformação, é necessário cruzar população com empregos, matrículas, unidades de saúde, construção, transporte e expansão urbana.
A indústria amplia renda e oportunidades, porém também concentra turnos, deslocamentos e tráfego. Trabalhadores que entram antes do amanhecer ou saem à noite precisam de transporte seguro. Famílias que mudam para a cidade demandam creches, escolas, aluguel, atendimento e espaços públicos. O desenvolvimento torna-se visível na rotina, não apenas no PIB.
Itaberaí possui uma oportunidade estratégica: usar a capacidade empresarial para formar profissionais, fortalecer fornecedores locais e preservar sua memória. Quando escola, indústria, agricultura familiar, comércio e cultura conversam, a cidade deixa de ser apenas sede de uma fábrica e torna-se um ecossistema de desenvolvimento.
O futuro também depende de água, saneamento, habitação e planejamento territorial. Uma cadeia de alimentos de grande escala utiliza recursos e movimenta veículos; por isso, crescimento econômico e responsabilidade ambiental precisam ser tratados como partes da mesma agenda.
A força futura do município está na capacidade de transformar produção e emprego em conhecimento. Cursos técnicos conectados à cadeia, pesquisa aplicada, formação de fornecedores e registros de memória podem fazer Itaberaí ser reconhecida não apenas pelo que produz, mas pelo que sabe fazer.
Outra oportunidade está na integração regional. A proximidade com Goiânia e Cidade de Goiás permite conectar indústria, turismo cultural, comércio e serviços. Essa relação deve evitar dependência: o objetivo é usar acesso à capital para ampliar mercados enquanto preserva decisões e atividades no próprio município.
Para o morador, autoridade regional precisa aparecer em serviços eficientes, segurança, espaços de convivência e oportunidades para jovens. Uma cidade só consolida o crescimento quando as novas gerações conseguem imaginar futuro dentro dela.
A cidade não precisa escolher entre ser histórica ou industrial. Sua maior força está em preservar documentos, festas e nomes do passado enquanto forma pessoas para atividades do futuro. Essa continuidade permite que moradores reconheçam a transformação como parte da própria história.
Itaberaí fica no Centro Goiano, a aproximadamente 90 quilômetros de Goiânia por rodovia.
Durante mais de um século o lugar foi conhecido como Curralinho. O nome Itaberahy foi adotado em 1924.
O Censo 2022 registrou 44.734 habitantes. A estimativa do IBGE para 2025 é de 47.603 pessoas.
Porque reúne produção rural e uma cadeia agroindustrial que inclui ração, incubação, criação, processamento, logística e exportação.
O Zé Pereira, a Festa de Agosto, a Festa do Peão e as comemorações do aniversário municipal estão entre as manifestações mais lembradas.
A cidade possui vínculos documentados com políticos, médicos, educadores, artistas, dirigentes esportivos e empresários. O dossiê diferencia naturalidade, formação e ligação profissional.
Os dados populacionais e territoriais foram conferidos no IBGE. A história municipal utiliza registros da Prefeitura e da Câmara, além de fontes institucionais relacionadas a empresas, pessoas e eventos. Informações sujeitas a mudança devem ser lidas com o ano de referência indicado.