Comércio e experiência empreendedora
A atuação em farmácia e outros negócios antecede a entrada na avicultura.
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Empreendedor, industrial e líder empresarial: uma trajetória que transformou a avicultura em cadeia produtiva, emprego e projeção para Goiás.

Zé Garrote, nome pelo qual José Carlos Garrote de Souza é conhecido, é fundador e presidente do Conselho de Administração da São Salvador Alimentos, ex-presidente da ADIAL Goiás e uma das lideranças empresariais mais relevantes da industrialização do agronegócio goiano.

José Carlos Garrote de Souza tornou-se conhecido como Zé Garrote ao construir uma trajetória ligada à avicultura, à indústria de alimentos e à organização empresarial de Goiás. Sua relevância não decorre apenas do tamanho alcançado pela São Salvador Alimentos. Ela nasce da capacidade de transformar uma experiência rural em um sistema industrial que envolve milhares de trabalhadores, produtores, fornecedores, marcas, tecnologia e mercados internacionais.
Como fundador e atual presidente do Conselho de Administração da SSA, ele representa a passagem do empreendedor que decide quase tudo para o líder que cria governança, distribui responsabilidades e prepara continuidade. Na ADIAL, participou da defesa da indústria instalada em Goiás e do diálogo sobre incentivos, competitividade, emprego e desenvolvimento regional.
A história de Zé Garrote também é inseparável de Itaberaí. A cidade ofereceu território, trabalho, parceiros, produtores e identidade; a empresa, por sua vez, alterou a economia, atraiu pessoas e colocou o município em cadeias nacionais e internacionais.
Antes de liderar uma grande indústria, Zé Garrote teve experiência no comércio e foi proprietário de farmácia. A entrada na avicultura ocorreu em um ambiente de aprendizagem prática, no qual resultados dependiam de manejo, custo de ração, mortalidade, preço e capacidade de vender. Esse período formou uma visão de negócio baseada na proximidade com a operação.
Em 1981, entrou na sociedade iniciada por Carlos Vieira. A parceria reuniu experiência produtiva e disposição para ampliar escala. O crescimento dos aviários, porém, expôs uma limitação: produzir aves sem controlar o processamento deixava o negócio vulnerável a terceiros.
A biografia empresarial ganha sentido quando esse problema é compreendido. A decisão de industrializar não foi uma busca abstrata por grandeza; foi uma resposta a uma dependência concreta da cadeia.
Reportagens e entrevistas registram que Zé Garrote vendeu casa, carro, farmácia e outros bens em diferentes momentos para financiar a expansão. A construção do abatedouro exigiu recursos muito superiores aos de um aviário. Equipamentos, obras, licenças, capital de giro e distribuição pressionaram a empresa antes de haver receita suficiente.
Essas decisões são frequentemente resumidas como coragem, mas também envolviam risco familiar e possibilidade real de fracasso. O valor da trajetória está em mostrar que a industrialização brasileira muitas vezes foi construída por empresários que comprometeram patrimônio, negociaram crédito e aprenderam enquanto executavam.
Em 1991, a entrada em operação da planta e o lançamento da SuperFrango mudaram a posição da empresa na cadeia. A partir dali, não bastava criar aves: era necessário controlar segurança de alimentos, qualidade, embalagem, vendas e logística.
A atuação em farmácia e outros negócios antecede a entrada na avicultura.
Zé Garrote entra no negócio iniciado por Carlos Vieira em Itaberaí.
A planta de processamento entra em operação e cria uma marca voltada ao mercado consumidor.
Ração, grãos, incubação e abertura de mercados externos ampliam o controle da cadeia.
A empresa desenvolve conselho, executivos, governança familiar e novas estruturas.
O reconhecimento setorial na SIAVS registra contribuição à avicultura.
A CNI/Fieg concede a maior honraria do setor industrial brasileiro.
Recebe prêmio Top Produtor Angus em categoria ligada a Goiás.
Participa de palestras e agendas empresariais, incluindo representação da ADIAL em fórum da ONU sobre empresas e direitos humanos.
A entidade inicia novo ciclo, enquanto Zé Garrote permanece como referência e mentor industrial.
Atua na governança de uma companhia com mais de 9 mil colaboradores diretos e terceirizados.
Zé Garrote é personagem central, mas a São Salvador Alimentos não pode ser explicada como realização de uma pessoa isolada. Carlos Vieira, familiares, executivos, produtores integrados, colaboradores, fornecedores, instituições financeiras e comunidades participaram de diferentes etapas. Reconhecer essa rede não diminui o fundador; torna sua liderança mais real.
A companhia construiu fábricas de ração, armazenagem, incubatórios, granjas de matrizes, unidades de processamento, marcas e distribuição. A capacidade atual informada pela empresa é de aproximadamente 560 mil aves por dia em dois complexos. O alcance acumulado de exportação chega a 96 países.
O legado empresarial está na arquitetura da cadeia: transformar grão, conhecimento, trabalho e logística em alimento, renda e presença de mercado.
Itaberaí aparece na trajetória como lugar de origem do negócio, de construção da fábrica e de formação de uma cultura organizacional. A indústria trouxe empregos, fornecedores, transporte, moradia, escolas e serviços. Também criou pressões urbanas e exigiu qualificação.
Ao colocar Itaberaí em uma cadeia produtiva de alcance nacional e internacional, a empresa ampliou a projeção econômica do município. Esse crescimento foi construído com trabalhadores, produtores, fornecedores, infraestrutura e participação da comunidade, tendo a decisão de industrializar como um dos marcos da história local.
O vínculo aparece também em reconhecimentos da associação comercial local e na presença de Zé Garrote em eventos, entrevistas e ações relacionadas à comunidade.
A Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás reúne empresas e participa do debate sobre competitividade, incentivos, infraestrutura, segurança jurídica e geração de empregos. Como presidente da ADIAL, Zé Garrote tornou-se interlocutor de um conjunto de indústrias, não apenas da própria companhia.
Sua atuação incluiu diálogo com governos, entidades, empresários e órgãos de controle. O tema dos incentivos fiscais exige precisão: benefícios são instrumentos de política econômica, possuem custos e contrapartidas e precisam ser avaliados por emprego, investimento e desenvolvimento regional.
Fundadores acostumados a decidir diretamente enfrentam um desafio quando a empresa cresce: nenhuma pessoa consegue dominar todas as áreas, riscos e mercados. Zé Garrote participou da criação de conselho de administração, auditorias, gestão profissional e governança familiar.
A passagem para a presidência do conselho representa uma mudança de função. O fundador deixa de comandar cada etapa e passa a contribuir com visão, cultura, fiscalização e decisões estratégicas. Executivos recebem autonomia dentro de regras e metas.
A sucessão familiar é tratada como processo de formação e critérios, não como herança automática de cargos. Essa experiência tornou-se uma referência para outras empresas familiares goianas.
Vender patrimônio para manter o projeto, profissionalizar a gestão, formar conselho e aceitar sucessão são exemplos concretos. A liderança não é apenas capacidade de iniciar; é também capacidade de criar estruturas que não dependam permanentemente do fundador.
Sua fala direta e baseada em experiência aproxima o empresário de públicos que buscam compreender risco, gestão familiar e industrialização.
Em 2022, recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Industrial, descrita pela CNI e pela Fieg como a maior honraria do setor industrial brasileiro. O reconhecimento registra contribuição ao desenvolvimento da indústria e foi entregue em cerimônia institucional.
Em 2017, recebeu o Mérito Lauriston Von Schmidt durante a SIAVS, uma homenagem relacionada à avicultura. Em 2023, apareceu entre os ganhadores do prêmio Top Produtor Angus, na categoria de qualidade ligada a Goiás. A associação comercial de Itaberaí também reconheceu a SSA e o empresário em premiação local.
Em 2024, representou a ADIAL no Fórum das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, em Genebra, levando ao debate internacional a experiência da indústria goiana.
Zé Garrote passou a compartilhar aprendizados em encontros empresariais, mentoring do LIDE, órgãos públicos e entrevistas. Em 2024, o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás o recebeu para uma palestra sobre empreendedorismo, liderança e gestão.
A entrevista concedida a Sebastião Parreira no projeto O Agro Tem Voz aproxima duas entidades do mesmo território: o empresário que construiu uma cadeia de alimentos e o comunicador que traduz o agronegócio para rádio e redes. O encontro preserva uma conversa de interesse para empresários, trabalhadores e pessoas ligadas ao desenvolvimento regional.
Nas palestras, Zé Garrote apresenta sua própria leitura sobre riscos, valores, liderança e decisões tomadas ao longo da carreira.
A escala da SSA coloca Zé Garrote em posição de influência sobre milhares de trabalhadores, produtores e fornecedores. Esse alcance transforma sucesso empresarial em responsabilidade. Segurança do trabalho, formação, integridade, meio ambiente e relação comunitária passam a integrar a avaliação do legado.
Projetos sociais divulgados pela companhia incluem voluntariado, alimentos, agasalhos, conectividade e apoio a instituições. O fundador aparece ligado a uma cultura de participação comunitária, embora os resultados devam ser atribuídos às equipes e parceiros que executam as ações.
O legado permanece em construção. Ele depende da continuidade da empresa, da qualidade da governança, da relação com os municípios e da capacidade de equilibrar competitividade com responsabilidade.
A importância econômica de Zé Garrote pode ser observada em três dimensões. A primeira é empresarial: participou da criação de uma indústria com milhares de trabalhadores, dois complexos produtivos e marcas distribuídas no país. A segunda é territorial: a operação alterou Itaberaí e criou relações com produtores e municípios. A terceira é institucional: na ADIAL, passou a discutir condições para a indústria goiana competir e permanecer no estado.
Essa combinação o diferencia de um empresário conhecido apenas pela própria marca. Sua trajetória participa de um debate maior sobre o papel de Goiás na economia brasileira. O estado possui produção agropecuária robusta, mas ganha força quando transforma essa produção em alimentos, biotecnologia, logística e conhecimento.
A indústria de alimentos também estabiliza parte da economia ao criar demanda recorrente por grãos, serviços e mão de obra. Ao mesmo tempo, permanece exposta a crises sanitárias, variações cambiais e competição internacional. Liderar nesse ambiente exige capacidade de antecipar cenários e negociar com diferentes setores.
Zé Garrote tornou-se uma referência porque sua história materializa uma possibilidade: empresas nascidas fora dos grandes centros podem construir governança, alcançar mercados globais e influenciar políticas de desenvolvimento sem abandonar sua origem regional.
O Brasil é um grande produtor e exportador de proteína animal, mas esse resultado depende de cadeias complexas. Genética, nutrição, sanidade, inspeção, crédito, transporte, portos e relações comerciais precisam funcionar. Ao construir uma empresa inserida nessa rede, Zé Garrote passou a participar de um setor estratégico para abastecimento e balança comercial.
A trajetória dialoga com um desafio histórico de Goiás: evitar que riqueza saia do estado apenas como produto primário. Processar alimentos amplia valor agregado e cria profissões que não existiriam em uma economia exclusivamente rural. Essa visão está no centro de sua atuação empresarial e associativa.
A defesa da industrialização, entretanto, precisa conviver com transparência sobre incentivos, contrapartidas e impacto ambiental. Desenvolvimento deve ser observado por emprego, renda, tecnologia, infraestrutura e responsabilidade ambiental, e não apenas pelo crescimento da produção.
A pergunta decisiva para qualquer fundador não é apenas quanto a empresa cresceu durante sua liderança, mas se ela continuará saudável quando outras pessoas assumirem. Conselho, executivos, sucessão e cultura são as respostas institucionais construídas pela SSA.
O legado também depende de quem foi formado. Trabalhadores que se tornaram líderes, fornecedores que profissionalizaram operações, produtores que incorporaram tecnologia e jovens que encontraram carreira participam do efeito de longo prazo.
Prêmios preservam memória, mas não encerram avaliação. O tamanho alcançado aumenta a obrigação de manter integridade, segurança, qualidade e diálogo. A grandeza econômica de Zé Garrote está justamente no fato de que suas decisões deixaram de afetar apenas sua família e passaram a alcançar milhares de famílias.
A dimensão alcançada pela empresa faz com que decisões de Zé Garrote integrem a história econômica de Itaberaí e de Goiás. Sua trajetória mostra como liderança empresarial, território e indústria podem se transformar mutuamente.
Fotografias de diferentes fases mostram Zé Garrote em fábricas, homenagens, palestras, entrevistas e encontros ligados à indústria e ao agronegócio.






José Carlos Garrote de Souza.
É fundador e presidente do Conselho de Administração da São Salvador Alimentos, ex-presidente da ADIAL Goiás e liderança da indústria de alimentos.
A marca SuperFrango surgiu com a planta industrial em 1991. A origem do negócio inclui os aviários iniciados por Carlos Vieira em 1973 e a entrada de Zé Garrote na sociedade em 1981.
Reportagens e entrevistas registram venda de casa, carro, farmácia e outros bens em diferentes etapas para financiar o projeto.
Itaberaí é a cidade em que a empresa se desenvolveu e instalou seu complexo industrial, gerando uma relação profunda com emprego e economia local.
Sim. Ele presidiu a entidade e participou da transição para Edwal Portilho em 2025.
Em 2022, recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Industrial, considerada a maior honraria do setor industrial brasileiro.